“Ele provavelmente não duraria muito, um homem negro na posição de presidente. Eles o matariam. Seria melhor que Hillary o vencesse”, disse a Prêmio Nobel de Literatura de 2007 ao jornal sueco “Dagens Nyheter” neste sábado.

Este é o tipo de declaração que apenas beneficia quem a profere. Se Obama não for eleito, Doris Lessing acerta; se for eleito e sofrer um atentado, também; se for eleito e assassinado, idem; se virar presidente e só receber flores, ela ao menos revolveu profundas feridas, servindo de consciência ao povo americano…

A declaração é, no mínimo, inoportuna. Os EUA melhoraram muito no item racismo e a provável eleição de Obama deveria ser encarada com naturalidade pela imprensa. Seria a vitória de um negro sobre uma mulher para a indicação Democrata - algo inédito - e depois sobre um Republicano. Não é bom divulgar “previsões” de seu assassinato; afinal, algum maluco armado pode desejar ficar famoso, cumprindo o que pede o oráculo Lessing.

A Academia Sueca, ao conceder o Nobel à Lessing, destacou que a escritora é dona de um poder visionário de ceticismo… Hum…

(Enquanto isso, Idelber Avelar vai fazendo excelente cobertura das eleições americanas em seu blog.)