1. Se houver vida após a morte, se a Virginia Woolf não for homossexual — qual é mesmo o politicamente correto para esta palavra, Flávia? –, se ela estiver disponível e se a Claudia ainda estiver no mundo onde você me lê, será ela, Virginia Woolf, a mulher que desejarei, mesmo louca e deprimida. Leiam-na:

As mulheres, durante séculos, serviram de espelho aos homens por possuírem o poder mágico e delicioso de refletirem uma imagem do homem duas vezes maior que o natural.

Não é isso mesmo? É assim que me sinto quando uma mulher me observa, me dá atenção ou revela alguma admiração. Um gigante.

Davi Michelangelo

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2. A estátua de Davi foi levada a diversos museus norte-americanos por um período de três meses, mas agora está de volta à Florença. (*)

Davi Michelangelo

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3. Mia Couto:

O tempo é, como diz um provérbio de minha terra, um ovo: se não se segura bem, cai; se se aperta com força, quebra.

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4. Uma ressurreição. Wimbledon costuma ser um torneio de zebras. Não imagino quantas raquetes já foram quebradas por ele, mas o fato é que o grande louco Marat Safin está vivo nas quartas-de-final.

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5. Nossa governadora Yeda Crusius não pára de dizer bobagens. A última:

- Me caiu no colo um nenê japonês e, na minha volta, não havia nenhum japonês que valesse a pena. Então, não é meu, não é nosso esse filho que me caiu no colo. Mas quando um bebê é jogado no meu colo, não jogo no rio. Vamos achar o pai e a mãe. Esse bebê vai voltar para seu local de origem. Essas coisas requerem que a gente avalie o tamanho do inimigo.

Para quem está mais do que enrolada, isto soa como gozação, né? A CPI que a investiga pediu desculpas à comunidade japonesa pela metáfora.

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6. Você consegue reconhecer Yeda Crusius na foto abaixo?

Raposa

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7. Pablo Picasso (olha só, Carol!), para tirar o gosto ruim deixado pela Yeda:

Eu estou sempre trabalhando. Assim, quando a inspiração chegar, vou estar trabalhando.

Bach disse quase o mesmo. Comprovadamente, ambos trabalharam muito.

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8. Ontem, num restaurante onde sempre vou, o garçom me ofereceu a cerveja Coruja de sempre. Rejeitei-a, pois estava dirigindo. Ele respondeu que é o fim do mundo.

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9. Orhan Pamuk:

A pergunta que, com maior freqüência, é dirigida a nós, escritores, a pergunta favorita, é: por que vocês escrevem? Escrevo porque tenho uma necessidade inata de escrever. Escrevo porque não posso ter um trabalho normal como as outras pessoas. Escrevo porque quero ler livros iguais aos que eu escrevo. Escrevo porque estou irritado com todo mundo. Escrevo porque adoro ficar sentado numa sala, escrevendo o dia todo. Escrevo porque só consigo tomar parte da vida real transformando-a. Escrevo porque quero que os outros, o mundo inteiro saiba que tipo de vida nós vivíamos e continuamos a viver, em Istambul, na Turquia. Escrevo porque amo o cheiro de papel, caneta e tinta. Escrevo porque acredito na literatura, na arte do romance, mais do que em qualquer outra coisa. Escrevo porque é um hábito, uma paixão. Escrevo porque tenho medo de ser esquecido. Escrevo porque gosto da glória e do interesse gerados pelo ato de escrever. Escrevo para ficar sozinho. Talvez eu escreva porque espero entender porque estou tão, tão irritado com todo mundo. Escrevo porque gosto de ser lido. Escrevo porque, tendo começado um romance, um ensaio, uma página, eu quero terminar. Escrevo porque todo mundo espera que eu escreva. Escrevo porque tenho uma crença pueril na imortalidade das bibliotecas e na maneira como meus livros ficam na estante. Escrevo porque é instigante transformar todas as belezas e riquezas da vida em palavras. Escrevo, não para contar uma estória, mas para compor uma estória. Escrevo porque desejo escapar do mau presságio de que há um lugar aonde eu devo ir, mas aonde - como num sonho - não posso chegar por completo. Escrevo porque nunca consegui ser feliz. Escrevo para ser feliz.

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10. De modo algum afirmaria que Philippe Remondeau é um embuste. Mas afirmo que o chef francês preferido das colunas sociais portoalegrenses, após nos proporcionar uma decepção na noite de Ano Novo do ano passado (quem pagou foi minha irmã…), voltou a nos desiludir na noite dos Dia dos Namorados, em que eu e a Claudia — pourquoi pas? — resolvemos nos homenagear. Pas grand chose, monsieur Remondeau, pas grand chose. E não somos assim simplesinhos, guaipecas, incapazes de fruir coisas sofisticadas. A entrada foi sensacional, depois só o espumante manteve o nível. Acho que a solução é uma reunião mensal da Slow Food em casa ou algures.

(*) Imagem e idéia roubadas do Varal.