Machado de Assis, a Polca, o Jazz, Shostakovitch e o Pestana (e o Wisnik e o Idelber)
Pequena ilustração ao post de hoje do Idelber.
Em um famoso conto de Machado de Assis, Um Homem Célebre, havia um grande compositor de polcas, o Pestana, que queria fazer algo maior, grandioso, mas - que diabo! - só lhe saÃam mais polcas. O que fazer? O personagem fazia o maior esforço, passava meses trancado em casa a fim de parir a grande obra, porém não produzia nada além de belas polcas, que logo se tornavam popularÃssimas e eram assobiadas pelo povo nas ruas, para desespero do Pestana. Estas eram compostas copiosa e rapidamente. Acabou rico, infeliz e doente. Coitado.
Com Shostakovitch o caso é diferente. Compôs copiosamente obras-primas, tem obra profunda e numerosa, mas, um belo dia, resolveu escrever suÃtes para grupos de jazz. Vocês podem adivinhar o que aconteceu? SaÃram apenas… polcas. Polcas e valsas. O timbre é o do jazz - não poderia ser diferente com aquela formação orquestral -, já a música são as polcas do personagem machadiano. Ah, vocês não acreditam? Então ouçam o CD (*) com estas obras. É um bom disco, há a espetacular Valsa 2 da SuÃte Nro. 2, que foi utilizada por Stanley Kubrick na abertura de De Olhos bem Fechados, com um ritmo e um solo de sax que nos obriga a levantar e ensaiar uns passinhos pela sala, há várias polquinhas bem legais e há uma imitação marcial de Duke Ellington que dá para rolar de rir. É o “Grande Projeto Falhado” do imortal Shosta e, mesmo assim, é muito bom e divertido.
(*) Gentilmente, P.Q.P. Bach nos disponibliliza uma gravação das Jazz Suites de Shostakovich.
março 28th, 2008 às 11:48
Eu adorei aquele post lá. Mas fiquei com um pouco de raiva pq é só um palhinha, né? queria ter ouvido o cara. ou que o Idelber tivesse disponibilizado o paper. (eu sei, nem sempre os palestrantes disponibilizam) E vc aqui só me deu mais vontade! (engraçada essas es/histórias de polcas mal sucedidas!)
Vou fazer uma escavação arqueológica aqui em casa e ver onde andam meus machado de assis…
bjs, f
março 28th, 2008 às 12:48
Flavia, a essência da apresentação do Zé está disponÃvel no artigo “Machado Maxixe”, compilado num livro intitulado Sem receita. Está tudo lá.
março 28th, 2008 às 12:54
hehe, nada como cutucar a onça…
bj, f
março 28th, 2008 às 13:04
e que tÃtulo ótimo! musical… quase saà dançando, só no ritmo. machado maxixe. só na marcação, só na marcação…
março 28th, 2008 às 15:38
ô Milton, e tu que pensas que entendes de música! veja a sabedoria de alguns estudantes:
A harpa é um piano pelado.
A importância de “Tristão e Isolda” reside no fato de que é uma música muito triste. Mais triste que a “Tristesse” de schoping.
A mais bela sinfonia é a “ódio à legria” de Beethoven.
A música eletroacústica é a mais avançada das tendências da música eletrônica hoje em dia. Seus principais compositores são os DJs e a banda Craftwork.
A ópera mais Romântica é a Paixão de Mateus por Bach.
Agnus Dei é uma famosa compositora que escreveu música para igreja.
“As 4 Estações” é o CD mais vendido da banda do Vivaldi, depois que fez sucesso num comercial de sabonete, que não me lembro o nome agora.
As Fugas de Bach são famosas porque ele não queria ficar preso em nenhum sistema.
Bach está morto desde 1750 até os dias de hoje.
Barroco é uma palavra derivada de Bach.
Beethoven escreveu música mesmo surdo. Ele ficou surdo porque fez música muito alta. Ele caminhava sozinho pela floresta e não escutava ninguém, nem a Pastoral, uma mossa que poderia ser a sua Amada imortau e inspirou ele a criar uma sinfonia muito romântica. Ele faliu em 1827 e mais tarde morreu por causa disto.
Cage inventou os 4 minutos de silêncio.
Carlos Gomes compôs a prótesefonia do programa de rádio “A Hora do Brasil”.
“Carmen” é uma ópera e “Carminha Burana” é sua filha.
Chopin fez poucas baladas, pois sofria de tuberculose. Assim não dava para ele cair na gandaia toda noite, dançar, beber e curtir as minas, mais parece que ele não era chegado.
Eu sei o que é um sexteto, mas não sei dizer.
Há uma espécie de Corais feitas por Bach, que se chamam Florais e são usados como remédios milagrosos.
Handel compôs muitas peças geniais para couro.
Henry Purcell é um compositor muito conhecido, mas até hoje ninguém ouviu falar dele.
Joseph van Damme, além da arte lÃrica, é adepto das artes marciais. Não assisti nenhuma ópera dele, mas tenho o DVD de 3 filmes dele.
“Messias” é uma missa de Handel cuja originalidade é ter muitos aleluias.
Meu compositor preferido é Opus.
Mozart morreu jovem. Sua maior obra é a trilha do filme “Amadeus”.
Muitos pesquisadores concordam que a Música Medieval foi escrita no passado.
Música atonal é aquela sem som ou que explora o não-som, mais ou menos quase um anti-som. Seus mais importantes criadores são da famÃlia Berg: Schoenberg, Albanberg e Weberg.
Música cantada por duas pessoas é um duelo.
O Bolero de Ravel foi composto pelo Ravel.
O metrônomo foi inventado para os músicos não andarem depressa.
O regente de uma orquestra é igual a um guarda de trânsito maluco porque agita os braços controlando muitos instrumentos na sua frente.
Opus Póstuma é música composta quando o compositor compôs depois de morto.
Os compositores Renascentistas reviveram a música, pois ela havia sido morta pela Inquisição.
Os maiores compositores do Romantismo são: Chopin, Schubert e Tchaikovsky. No Brasil temos Roberto Carlos e Daniel.
Os menestréis e trovadores transmitiam notÃcias e estavam nas festas. Andavam de cidade em cidade, de castelo em castelo e iam até nos shows de TV.
Pierre Boulez e Stoquehauzen são compositores contemporâneos. É raro ser contemporâneo, pois muitos contemporâneos não vivem até morrer.
Stravinsky revolucionou o ritmo com “A massacração da Primavera”.
SuÃte é uma música de danceterias barrocas.
Tem dois tipos de Cantatas de Bach: as Cantatas religiosas e as cantadas di profanação, que ele usou no palácio.
Uma ópera é uma canção que dura mais de 2 horas.
Virtuoso no piano é um músico com muita moral.
março 28th, 2008 às 19:37
Ma che cyclopedia maravilhosa, Franz. Aprendi muito. Já está indo um e-mail para o PQP, aquele ignorante.
março 29th, 2008 às 7:36
Milton, gostei do texto do Lodovico Frans Beto-vem