Os torcedores mais felizes de nosso Brasil-sil-sil são os do Flamengo, Corínthians e Vasco. Não existem times que sejam mais bafejados pelo providencial auxílio dos juízes. Quando o lance na área é complicado, isto é, quando o jogador adversário das citadas equipes não sofre uma agressão semelhante a uma galinha sendo cortada durante a ceia dominical, pode-se ter certeza: o pênalti não será marcado.

Nem dou mais importância, achei graça quando dois exemplares claríssimos dessas penalidades não foram assinalados em favor de meu time contra o Flamengo. Não creio que merecêssemos ganhar o jogo, mas que houve duas faltas dentro da área do Fla a nosso favor, houve. Os jogadores do rubro-negro já estão de tal forma acostumados que riam das reclamações dos pobres coloradinhos gaúchos. Fábio Luciano tem sua aposentadoria adiada pela bondade dos árbitros que não punem sua falta de velocidade. Jogar no Fla é o final de carreira ideal para um zagueiro.

Este assunto foi abordado há dois meses por Douglas Ceconello neste post bastante irônico. O autor se compadece dos flamenguistas mais sensíveis e francos que têm de admitir diariamente que foram novamente favorecidos. Com grande profundidade psíquica, o Dr. Ceconello interpreta corretamente a alma flamenguista cujo maior sonho é o de poder acordar um dia e dizer para si mesmo: “Fomos prejudicados”.

O que aconteceu ontem no estádio Beira-rio é a demonstração de que mesmo um árbitro que está completando 45 anos e que, portanto, viverá nos próximos meses a aposentadoria compulsória que não é dada ao velho Fábio Luciano, faz questão de depositar seu óbolo para a maior e mais feliz torcida do Brasil, roubando dois pênaltis que, afinal de contas, nem merecíamos bater. Eu, alma inquieta e infeliz, venho aqui desculpar-me pelo absurdo de investir contra uma instituíção tão insondável e divina quanto o Clube de Regatas do Flamengo. Estou quase às lágrimas, já desejando que nosso gol tivesse sido anulado, proporcionando-nos uma derrota purificadora. Juiz desgraçado. Por que não acabou logo conosco?

Assim, peço perdão ao árbitro Sérgio da Silva Carvalho, do Distrito Federal.

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As Olimpíadas sempre terminam em decepção e choro para o Brasil. Bobagem. Vi brasileiros encherem a caixa de comentários do péssimo blog de Bob Fernandes, do Terra, reclamando que nossa participação era uma vergonha, assim como as lágrimas e lamentações de nossos atletas. Porém, não creio que aqueles torcedores que hoje vão ao medonho blog do Bob tenham demonstrado algum interesse nos últimos quatro anos por, por exemplo, — aquele vilipendiado Jadel Gregório que teve participação absurda — segundo esses imbecis — no salto triplo em Pequim.

Hoje, para suprema irritação deste leitor que acredita que as pessoas podem melhorar, o beócio Bob ataca com outras armas:

Ótimo que a fieira de grandes derrotas imponha o debate, aberto, sem conclusões precipitadas: o Brasil precisa mesmo perseguir o objetivo de se tornar potência olímpica, precisa mesmo de uma olimpíada regada a dezenas de bilhões de dólares de dinheiro público, ou precisa que todos possam ter a chance de acesso a escolas dignas do nome e à prática massiva de esportes?

Bom, agora entendi. O boçal Bob — editor em chefe do Terra Magazin — ficava feliz a cada derrota porque estas apoiariam uma tese maior, que é a do boicote ao Rio 2016. Por que não foi logo claro em vez de ficar enchendo nosso saco com análises psicológicas sobre o choro de quem é o derrotado natural, segundo a besta Bob? O limitado editor em chefe do Terra deseja ver renascer nosso nem tão morto complexo de vira-latas? Por que utilizar o sangue de atletas apaixonados para divulgar sua bastante discutível tese, que não tem nada a ver com ridicularizar o pobre ginasta chorão, sugerindo que ele e outros “temeram vencer”?

Pois olha, Bob bronco, o Brasil foi muito bem: para um país onde apenas o futebol e o volei recebem apoio decente, tivemos uma chuva de medalhas e os muitos quases ouros foram transformados em “chouros” certamente pela falta de dinheiro, atenção, e cobertura de editores você, asno Bob, que, a partir de amanhã, esquecerão por quatro anos todos os outros esportes que não seja o futebol nosso de cada dia. Mas como é bom posar de lúcido!

Pego o estúpido Bob para Cristo, mas há vários outros por aí. É a hora de alguns jornalistas se vingarem de uma cobertura longa e cansativa.