Outro Sonho: William Shakespeare, meu Ghost Writer
Estava em casa, lendo numa mesa de fórmica branca, daquelas que se faziam anos 60 e 70, quando Shakespeare chegou. Em meu sonho, ele falava um português machadiano. Sentou-se tranqüilamente em meu antigo quarto com aquela mesma cara das pinturas, só que um pouco mais corado, e declarou que gostaria que eu começasse uma carreira de poeta. Propôs-se a ser um ghost writer.
- Aliás - riu-se Shake -, já o sou… Mas agora quero ser seu ghost writer.
Sorri e disse-lhe que não lia muita poesia e que era incapaz de um verso (aqui fui honesto), mas que, obviamente, concordava com o esquema. (Um belo oportunista ou um homem preocupado em divulgar altíssima cultura? O primeiro, certamente.) Então, ele passou a me ditar os poemas mais sublimes e perfeitos, dos quais não lembro, é claro. Só lembro da profunda emoção que me causaram e da dificuldade que tinha para escrever com o lápis na fórmica, pois as lágrimas me atrapalhavam. Enquanto fungava, ouvia e copiava a maior e mais inédita das obras. Às vezes, perguntava-lhe onde deveria mudar de linha ou onde acabava a estrofe, essas coisas técnicas. Minha caligrafia era belíssima. (Minha letra é horrorosa.)
Depois de muitos sonetos - a mesa de meu sonho era imensa -, meu novo amigo cansou e pediu-me para levá-lo até a porta. Enquanto o acompanhava, ele garantiu que voltaria.
- Voltarei! - falou ele bem alto, para minha alegria.
Não parecia um espectro. Quando voltei, nossa empregada estava de joelhos sobre a mesa, esfregando-a com produtos de limpeza bastante eficientes. (Não vi suas marcas, então não posso indicá-los.) Vi a mesa branca, ainda úmida, e caí em abissal desespero. Acordei apavorado. Não é sempre que se perde um ghost desses.

Seu rosto era exatamente este, só que, como já disse, mais corado. Talvez fosse a emoção causada pelo recital, sei lá. O cabelo estava mais curto.
maio 6th, 2008 às 1:02
Shake? KKKKKKK
não te agüento!
Quando eu estava terminando minha tese eu sonhei que minha grande e admirada professora, cujo nome não importa aqui (famosérima,mas na minha área), me dava toda uma solução nåo lembro se da tese ou de um capítulo. Era genial. No outro dia, quando acorde,i não lembrava mais nada, então escrevi um email para ela perguntando…mas ela tb não lembrava!!!
Teu caso é mais difícil, vais precisar de ajuda de um médium… e dos bons! Boa sorte!
Ah meu amigo diz que se reconheceu, como diz o manezinho aqui, “todinho, todinho” no teu post anterior. bjs, f.
maio 6th, 2008 às 8:32
Shake com todo o respeito. Nunca o chamaria de Billy.
maio 6th, 2008 às 9:46
Boa, muito boa…
Aliás, a sua empregada fez do teu sonho um verdadeiro pesadelo, não?
maio 6th, 2008 às 10:57
Um texto excelente, meu caro! Excelente!
maio 6th, 2008 às 16:55
Este sonho é dos bons!
maio 6th, 2008 às 19:17
Milton, meu caro amigo, passei para matar a saudade. Gostei muito do texto, que me lembrou uma história real. Um dia conto.
Grande abraço
maio 6th, 2008 às 20:24
Milton, Milton, MIlton!
As Shkspr said:
“Bless thee, bully… writer”
A-b-s-o-l-u-t-e-l-y!
Bravo!
Meg
maio 7th, 2008 às 0:19
Que sonho lindoooooooooo
daqueles para não esquecer jamais
Um presente dos Deuses!!!