Porque hoje é sábado, Angelina Jolie

Na Verbeat, fiz 84 posts na série “Porque hoje é sábado”. Aqui, já foram 31 e nunca o tema foi Angelina Jolie.

Os motivos são vários: em primeiro lugar, não gostei de nenhum filme que ela fez.

Ou melhor, “Garota, Interrompida”, de James Mangold, foi um filme digno.

Mas a filha de Jon Voigt, de apenas 33 anos, é indiscutivelmente um belo e curioso espécime.

Pode parecer incrível, mas acho-a apenas bonita. Não me atrai. Atrai-me mais sua história agitada.

Teve cinco longos casos amorosos. Com Jonny Lee Miller, Billy Bob Thornton, com a modelo Jenny Shimizu…

… e agora forma com Brad Pitt um gênero de casal blockbuster bastante comum em Hollywood.

E, se Angelina tem vida amorosa é agitada, o que dizer da maternal? Ela tem hoje 6 (seis) filhos,…

… três biológicos e três adotivos. Se tais fatos apontam para uma pessoa interessante, apesar de má atriz…

… e das péssimas escolhas cinematográficas, outros apontam para uma mulher rançosa e conservadora.

Bem longe da imagem de rebaldia que tinha anos atrás, ela hoje se diz indecisa sobre apoiar…

… Barack Obama ou John McCain. Mas apoiará McCain, sem dúvida. Afinal,…

… ela aprovou e segue apoiando a guerra contra o Iraque com um motivo pra lá de esquisito: …

… espera que seu país “ampare” os quatro milhões de refugiados da própria guerra. E completa: …

… “Não podemos nos permitir esbanjar os progressos que já obtivemos na região”.

OK. Temos nela uma Embaixadora da Boa Vontade Intervencionista da ONU.

Então, é provável que Jolie, a paradoxal mulher que é uma das pessoas mais influentes do mundo, …

… vá de McCain nas eleições americanas. A não ser que seus empresários a convençam do contrário.

Porém, obviamente, eu e todos os meus “leitores” aceitaríamos um test drive com a moça, nem que fosse para conferir o que vêem nesta mulher que foi considerada, em 2005 e 2007, a mais sexy do mundo. Desde que permanecesse quieta.

A Guerra do Fim do Mundo, de Mario Vargas Llosa, ou Identidade Cultural, Sistema Métrico Decimal e Canudos

Eu amo o mar, mas sou de origem e de alma um sujeito do sertão, que sei de vivência e não de notícia dos Euclides e Guimarães.

ADALBERTO DE QUEIROZ

Pois eu só conheço o sertão de notícia, Beto, infelizmente só de notícia. A frase acima faz parte de um e-mail que meu amigo enviou-me há uns quatro anos. Falávamos sobre férias, viagens e trabalho. Agora, influenciado mais uma vez por ele, quis reler Os Sertões, mas ao notar que ainda não tinha lido o livro de Mario Vargas Llosa sobre Canudos - A Guerra do Fim do Mundo -, escolhi o peruano. O livro fora comprado em 21 de dezembro de 1981, conforme a anotação da primeira página. Nunca o abri, ainda mais depois da tentativa do escritor de tornar-se presidente do Peru e das pelejas com García Márquez.

A história de Canudos é riquíssima como documento humano e político. Os acontecimentos são regidos de um lado pelo fanatismo religioso e de outro pelos tortuosos caminhos da política brasileira, que era e é, a propósito, semelhante a de qualquer país. Os interessados no conflito são tantos que - guardadas as proporções - às vezes parece que estamos lidando com a Revolução Francesa. Há monarquistas que mudam seus apoios conforme os ventos, há o povo nordestino que tinha Antônio Conselheiro por santo, há os jagunços convertidos, há os republicanos que acabarão por realizar o massacre, há socialistas que viam na ação do Santo Conselheiro uma espécie de vanguarda intuitiva de suas idéias, etc. Ou seja, não é uma história simples e os interesses muitas vezes são acomodados de forma surpreendente.

Porém, o que desejavam os amotinados da terra santa de Canudos? Ora, livrar-se do Anticristo representado pela República e de seus “avanços”. O juramento que os novatos em Canudos faziam explica bem suas motivações:

Juro que não sou republicano, não aceito a expulsão do Imperador nem sua substituição pelo Anticristo. Não aceito o matrimônio civil, nem a separação da Igreja do Estado, nem o sistema métrico decimal. Não responderei às perguntas do censo. Nunca mais roubarei, nem fumarei, nem me embriagarei, nem apostarei, nem fornicarei por vício. E darei a vida por minha religião e o Bom Jesus.

Surpresos com a citação sobre o censo? Canudos era monarquista mas anti-escravatura. A ojeriza ao censo pode ser explicada da seguinte maneira: por que pretendia a República saber a raça e a cor das pessoas senão para, outra vez, escravizar os negros? E por que interessava-se ela pela religião da população, senão para identificar os crentes antes da matança? A rejeição ao sistema métrico decimal tinha motivações ainda mais disparatadas: é que as medidas inglesas eram, digamos, mais monarquistas… Digo-vos, meus caríssimos 7 leitores: havia demência no ar.

Além do completo massacre dos habitantes da vila de Canudos, houve enorme sacrifício de vidas no exército brasileiro, que não conseguia entender aquela guerra sem ética. Despreparado para ações de guerrilha, o Exército via os amotinados como um inimigo sinuoso, covarde, que se emboscava e desaparecia quando os “patriotas” tentavam encará-lo e que desconhecia as leis e os procedimentos da guerra. Além disto, os amotinados resistiam com inacreditável bravura, certos de que a morte lhes renderia o caminho dos céus. Os soldados, crentes em sua maioria, atacavam outros brasileiros que, paradoxalmente, cantavam hinos ao Senhor sob qualquer pretexto. Isto custou a todos muitas vidas, além de ódio mortal. O episódio Canudos pode ser dividido em 4 campanhas: a primeira e a segunda vencidas facilmente pelos amotinados - o que só fez com que se reforçassem e crescessem -, sendo a terceira foi uma guerra muito longa e tática à espera de reforços e a quarta o massacre no qual foram mortos TODOS os habitantes de Canudos.

O livro não é e nem se tornará um clássico com o de Euclides; é antes um romanção com dezenas de personagens e histórias que se desenvolvem ao mesmo tempo nas várias frentes: Canudos, Exército, jagunços, política e jornais baianos 1, 2 e 3, surpresa e raiva federal, etc. O livro se vale de quatro personagens principais: o monarquista Barão de Canabrava, o republicano Epaminondas Gonçalves, o jornalista míope e o anarquista escocês Galileu Gall. Não é por acaso que o intelectual da história seja um jornalista míope que teve seus óculos quebrados e que anda pela Vila de Canudos sem ver nada claramente.

Por que há tão poucas obras sobre Canudos, por que nosso cinema e a televisão não exploram mais o massacre? Lá foram mortas 25.000 pessoas! Foi uma baita guerra! Será que Euclides da Cunha, com seu impecável estilo empolado e sua justa aura de fundador da sociologia brasileira tornou-se intocável? Bobagem, Canudos não é dele. E por que há tantas recriações, abusadas ou não, de Machado de Assis e quase nada da grande história contada por Euclides? Trata-se de um equivocado respeito, de uma distância inexplicável de um fato que fala muito sobre nossa identidade cultural. Por que ignoramos Canudos? Sei lá. O que sei é que veio um peruano destituído deste respeito, fez pesquisas no local e enfrentou a complexa história em 560 páginas. Vale a pena ler, antes ou depois de Os Sertões.

Observações: (1) A charge acima foi retirada do jornal El Pais e refere-se à Espanha. Deve ser a globalização… (2) Sugiro a leitura do livro no original em espanhol, mesmo para aqueles que têm pouca vivência com a língua. A tradução brasileira deste best-seller é, digamos, média.

Dia de trabalho insano

Há trabalho demais, muito mais do que sou capaz de produzir e olha que sou rápido. Muitos e-mails, troco uns quinze só com ele. Vai de Recife para Curitiba ler um enorme poema narrativo num evento da Rascunho. Penso no que seria “enorme” e na bosta da poesia atual, que não narra nada, se conforma com fotografias, impressões, estados d`alma, pobreza. Seu poema narra, que beleza, fico feliz. A leitura durará menos de 45 minutos. Peço para que ele me envie enquanto penso nos Árabes de uma amiga que adoro, a ela e a seus Árabes, que narravam. O e-mail chega. Começo a ler e fico vidrado… Ou melhor, fico vidrado a partir da página 4, a partir daqui:

Chorai pelos mundos
mudos e pelos separados
sepulcros hoje esquecidos
nos dias de finados
que, em verdade, lamentam
pelos vivos:
por nunca lhes ser possível
aperfeiçoar o passado
enquanto vivem o agora
como se o presente
fosse a realidade única.

Vi uma foto de Anna Akhmátova,
num livro de segunda mão
em oferta barata na livraria
de terceira fechando as portas
em liquidação de quarta despedida
dos leitores de páginas impressas
à tinta das antigas tipografias
condenadas aos museus,
setor dos tipos móveis de Gutemberg
que não mais importa.

Setembro se derramava lá fora,
estação de sol sobre a fonte
de águas espargidas em torno da lua
de Vênus nativa molhando a ponta
dos dedos dos pequenos pés de mármore.
Pensei naqueles de Clarice criança,
subindo e descendo escadas
da casa entre movelarias e sebos,
vinda da Ucrânia para o coração
deste bairro de esquecidos
livros em hebraico e iídiche.

Lindo. Lindo e triste. Leio mais sete páginas e olho os controles do Word. 54 páginas. Impossível ler agora. Ficamos de papo ping-pong no e-mail. Ligo o MSN a fim de procurar alguns colegas de trabalho. Encontro um outro. Digo-lhe que vá depor. Ele confirma, tranqüilo. Sabe de minha história; explicações para quê? No final do dia, o drama. Sim, no MSN. Ele é gaúcho, mas mora em São Paulo. É gremista dos mais xaropes, designer e publicitário. Duas filhas e mais ela. É ela quem me escreve no MSN, quer vir para o sul com ele e as meninas. É jornalista e produtora. Estão cheios de São Paulo. E eu de trabalho. Sugiro um caminho para vir para o sul, mas ela acha que o cara que pode auxiliar não gosta dela. Falo com um amigo deste, ele gosta sim, só conhece pouco. E o gremista? Ora, o amigo daquele que pode auxiliar pode auxiliá-lo, talvez. Vamos tentar fazer algumas pontes. São Paulo é o inferno? E aqui? Bom, ao menos é um manicômio menor, sem trânsito, sei lá.

23h35. Estou cansado. E tudo atrasado. Fiz muito, mas não o suficiente. Droga. Vou tomar banho para seguir amanhã. Lembro que esqueci de imprimir o poema que queria ler na cama. Merda de Milton burro, burro, burro.

Um longo caminho

Numa noite fria do século XVIII, Bach escrevia a Chacona da Partita Nº 2 para violino solo. A música partia de sua imaginação (1) para o violino (2), no qual era testada, e daí para o papel (3). Anos depois, foi copiada (4) e publicada (5). Hoje, o violinista lê a Chacona (6) e de seus olhos passa o que está escrito ao violino (9) utilizando para isso seu controverso cérebro (7) e sua instável, ou não, técnica (8). Do violino, a música passa a um engenheiro de som (10) que a grava em um equipamento (11), para só então chegar ao ouvinte (12), que se desmilingúi àquilo.

Na variação entre todas essas passagens e comunicações, está a infindável diversidade das interpretações. Mas ainda faltam elos, como a qualidade do violino – e se seu som for divino ou de lata, e se ele for um instrumento original ou moderno? E o calibre do violinista? E seu senso de estilo e vivências? E o ouvinte? E… as verdadeiras intenções de Bach? Desejava ele que o pequeno violino tomasse as proporções gigantescas e polifônicas do órgão? Mesmo?

E depois tem gente que acha chata a música erudita…

Uma mulher chamada Suruba

Pois é. O primeiro capítulo da grande novela das oito Uma mulher chamada Suruba foi escrito por Marconi Leal, o segundo por Ricardo Montero, o terceiro por mim e Serbão acaba de postar o quarto.

Como já estamos negociando com a Globo, anteveja e curta a verdadeira Obra em Progresso. Esqueça a daquele cantor que faz show com o censor Roberto Carlos. Fique na Suruba!

Um fim-de-semana e quatro filmes / Últimos filmes vistos

Uma das melhores idéias que tivemos foi a de nos associarmos ao Guion Cinemas. Pagamos uma anualidade e entramos “de graça” por um ano. Só neste final de semana, eu e minha mulher gastaríamos mais de cem reais em ingressos. Vimos quatro filmes:

A Questão Humana, de Nicolas Klotz: Apesar de escolher pessimamente seus atores, Klotz é bom diretor. Porém, A Questão Humana é um filme já visto e revisto. É mais uma abordagem européia à enorme culpa que aquele continente tem (ou teria) para com os judeus mortos na Segunda Guerra Mundial. Ora, eu tenho 51 anos e não agüento mais ver o mesmo final em off narrando um holocausto real que envergonha a humanidade, mas do qual já enchi o saco, ainda quando penso que o fato de exibir-se como vítima no Ocidente, deixa os judeus mais populares e livres para fazerem o que bem entendem com os palestinos. Não sou anti-semita, mas aposto que conseguiria financiamento fácil se fosse cineasta e quisesse fazer um filme que denunciasse, por exemplo, os nazistas que tornaram-se fazendeiros na Patagônia. Israel não quer deixar de ser vítima de modo algum. O filme até propõe pequenas variações sobre a mesmice, mas é forçado — aquele psicólogo perturbado é de matar — e não convence.

Quando estou amando, de Xavier Giannoli: Show absoluto de Gerard Depardieu no papel de um decadente cantor de bailes. É incrível que ele tenha cantado todas as canções do filme, sempre com excelente desempenho. Que ator! Galanteador, ele conhece uma jovem corretora de imóveis pela qual se apaixona. Com este enredo de comédia romântica americana, Giannoli, Depardieu e a bela Cécile De France, chegam a um resultado mais dramático e realista do que suas congêneres. Vale a pena ver o trabalho inacreditável de Depardieu, inteiramente à vontade como cantor.

Ao Entardecer, de Lajos Koltai: Um super-elenco — Claire Danes, Vanessa Redgrave, Meryl Streep, Glenn Close, Toni Collette, Natasha Richardson… — num filme que me tocou especialmente por minha experiência com minha mãe, vítima de doença semelhante a que sofre a personagem de Vanessa Redgrave, Ann Grant. É um filme antiquado, muito competente e sensível, com ação no presente (enfermidade de Redgrave) e nos anos 50 (em que Redgrave é vivida por uma irrepreensível Claire Danes). Curiosidade: a atriz Mamie Gummer, que faz o papel de Lila nos anos 50, tem Meryl Streep, sua mãe, como Lila no presente. As cenas dos delírios de Ann Grant velha são maravilhosas e absolutamente realistas. Minha mãe também fala em alguns Harris — o grande amor de Ann — e em bailes do passado. Levemente irritante a presença de Toni Collette no elenco, muito parecida de rosto e nas atitudes com Suélen (ou seria Pâmela?).

Quem disse que é fácil?, de Juan Taratuto: Um homem solteiro, certinho e obsessivo aluga imóvel para uma bonita fotógrafa que não faz a mínima idéia nem de quem seria o pai da criança que carrega na barriga. Filme agradável, que traz Carolina Pelleritti, tão bonita que poderia figurar num Porque hoje é sábado. Destaque para o surpreendente realismo das discussões do casal.

Abaixo, a lista dos últimos filmes que vi.

43 - No Such Thing - No Such Thing - 2001 - EUA - Hal Hartley - 5
42 - Quem disse que é fácil? - ¿Quién dice que es fácil? - 2007 - Argentina / Espanha - Juan Taratuto - 3
41 - Ao Entardecer - Evening - 2007 - EUA / Alemanha - Lajos Koltai - 4
40 - Quando estou amando - Quand j`étais chanteur - 2006 - França - Xavier Giannoli - 3
39 - A Questão Humana - La Question Humaine - 2007 - França - Nicolas Klotz - 1
38 - O Balão Vermelho / O Cavalo Branco - Le Balon Rouge / Crin Blanc: Le Cheval Sauvage - 1956 / 1953 - França - Albert Lamorisse - 4
37 - Meu irmão é filho único - Mio fratello è figlio único - 2007 - Itália - Daniele Luchetti - 4
36 - Amar… Não tem preço - Hors de prix - 2008 - França - Pierre Salvadori - 1
35 - Batman - O Cavaleiro das Trevas - The Dark Knight - 2008 - EUA - Christopher Nolan - 2
34 - Do Outro Lado - Auf der anderen Seite - 2006 - Alemanha / Turquia - Faith Akin - 4
33 - Antes que o diabo saiba que você está morto - Before the devil knows you´re dead - 2007 - EUA - Sydney Lumet - 4
32 - O Banheiro do Papa - El Baño del Papa - 2007 - Uruguai / Brasil / França - Enrique Fernández e César Charlone - 4
31 - O Labirinto do Fauno - El Laberinto del Fauno - 2006 - Espanha / EUA / México - Guillermo del Toro - 3
30 - Jornada da Alma - Prendimi L`Anima - 2003 - França / Itália - Roberto Faenza - 4
29 - Bella - Bella - 2006 - México / EUA - Alejandro Gomez Monteverde - 3
28 - Control - Control - 2007 - Inglaterra - Anton Corbijn - 4
27 - Longe dela - Away from her - 2006 - Canadá - Sarah Polley - 3
26 - A Outra - The Other Boleyn Girl - 2008 - Grã-Bretanha - Justin Chadwick - 2
25 - Sex and the City - Sex and the City - 2008 - EUA - Michael Patrick King - 3
24 - Bloom - Bloom - 2003 - Irlanda - Sean Walsh - 3
23 - Confiança - Trust - 1990 - EUA / Inglaterra - Hal Hartley - 4
22 - A Vida é um Milagre - Zivot je cudo - 2004 - Bósnia / França - Emir Kusturica - 5

Significado aproximado das notas:

5 - Não deixe de ver
4 - Muito bom
3 - Vale a tentativa
2 - Medí­ocre
1 - Uma bomba
0 - Além de bomba, mal intencionado.

Porque hoje é sábado, Jean Seberg

O blog anda demonstrando alguma predileção pelas mulheres de vida trágica.

Americana nascida em 1938, Jean Seberg radicou-se definitivamente na França aos 19 anos.

Sua imagem foi imortalizada em Acossado (originalmente À Bout de Souffle ou Breathless nos EUA) de 1959.

Jean-Luc Godard (diretor) e François Truffaut (co-roteirista) talvez jamais tenham imaginado um physique du rôle tão perfeito para o filme.

Patricia, a americana vendedora de jornais que caminha pelos Champs-Elysées, sendo cortejada …

… pelo ladrão de carros Michael Poiccaard (Jean-Paul Belmondo), é uma imagem que significa cinema.

Porém a hiper-sensível Jean Seberg, logo após um filme de razoável sucesso, Bom Dia, Tristeza, …

… passou a colecionar fracassos e a enfileirar crises de depressão. Fez mais de 20 filmes, …

… porém seu final trágico anunciou-se pela morte de uma filha aos dois dias de vida e por seus livros, …

… um sobre esquizofrenia, chamado Blue Jean, e outro que ensinava a como cometer suicídio: …

How to Escape Oneself (Como Escapar de Si Mesmo), o que ela acabou efetivamente conseguindo.

Belíssima atriz que não obteve a enorme repercussão artística de Jeanne Moreau, …

… nem a física de Brigitte Bardot, é hoje bastante cultuada e comparada pelos americanos a …

… Scarlett Johansson, inclusive na predileção que esta demonstra pela Europa.

Foi casada e feliz por algum tempo com o escritor Romain Gary — do qual li um livro que achei bastante chato…

Com o fracasso deste casamento, entrou em sua maior crise depressiva. Depois de uma tentativa no metrô de Paris, …

… Jean Seberg foi encontrada morta em seu carro, devido a uma superdose de barbitúricos.

Jean Seberg foi a estrela de um filme que revolucionou a maneira de fazer cinema. Talvez por desconhecer a gramática cinematográfica, …

… Godard desobedeceu as regras vigentes a ponto de Belmondo virar-se para a câmera e dizer diretamente para o espectador, em francês: …

… “Vá se Foder”. Deve ter sido isso o que Jean quis dizer a todos nós ao matar-se em 1979, aos 40 anos.

Sarah Palin, vice de John McCain pelo Partido Republicano

Não é uma montagem, OK? Encontrei no Sergio Leo. E ele buscou aqui.

A governadora do Alaska gosta de caçar tudo o que se mexe, é a favor da abstinência sexual, contra a educação sexual e tem uma filha de 17 anos grávida. Uma flor de pessoa.

O Dia do Clássico Desconhecido

Uma vez, o Alex Castro publicou um post assim:

Todo leitor que se preza tem o seu clássico desconhecido, aquele livro ou autor que ele adora, que ele considera um clássico da humanidade mas que, infelizmente, raios!, o resto da humanidade solenemente ignora.

Que tal então criarmos o Dia do Clássico Desconhecido?

Comecem a pensar.

Não, não pensei muito. Hoje, ao chegar em casa, peguei a escada e procurei, a partir da letra A, os livros de que gosto muito e sobre os quais o mundo silencia. Encontrei muitos e o pedido do Alex por um livro receberá como resposta uma lista. A “santa” tarefa de resgate de minhas obras-primas pessoais não tomou-me muito tempo e é uma lista arbitrária que só vai de A a M, pois me apavorei com o número de livros sobre a mesa quando retirei da estante as folhas de papel A4 que formam a 19ª obra. Os de M a Z virão depois, sei lá quando, talvez em 17 de outubro de 2006. Meu critério é o descritério. Por exemplo, deixei de fora Hamsun, por considerá-lo “famoso demais” e incluí George Eliot. Vá entender. Alguns dos insuficientes textos explicativos que acompanham cada obra foram retirados de orelhas dos livros; outros, de obras sobre literatura; porém a maioria saiu perigosamente de minha cabeça.

1. O Homem Amoroso, de Luiz Antonio Assis Brasil. Mercado Aberto, 1986, 118 p.: O elegante Assis Brasil, ex-violoncelista da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre, sai do sério ao compor de forma irônica e naturalista esta novela que descreve as vivências de um músico erudito gaúcho, durante o “milagre brasileiro” dos anos 70 e seu neo-ufanismo. Para encontrar, só em sebos.

2. Extinção, de Thomas Bernhard. Companhia das Letras, 2000, 476 p.: Bernhard talvez venha a tornar-se inevitavelmente um clássico, se já não o é. É um enorme romancista e dramaturgo austríaco que costuma despejar seu ódio contra a pequena burguesia e os intelectuais de seu país. Destaco a notável descrição de sua família, realizada em duzentas paginas, enquando o narrador observa uma (apenas uma) foto que retrata, se não me engano, apenas duas ou três pessoas. Livro novo, fácil de achar.

3. Noturno do Chile, de Roberto Bolaño. Companhia das Letras, 2004, 118 p.: O narrador, testemunha do tempo que precede o assalto ao poder pelo general Pinochet e seus sequazes, repassa a sua vida num monólogo febril, reconstruindo dois momentos especiais da vida chilena - antes e depois do golpe. Este narrador, Lacroix, é um religioso ainda aferrado aos dogmas da Igreja, que não dispensa a sua batina surrada, usando-a como se fosse uma bandeira. Fácil de achar, assim como Os Detetives Selvagens.

4. Opiniones de un Payaso, de Heinrich Böll. Barral Editores, 1974, 244 p.: Hans Scheiner é um palhaço de circo que perde todos os seus bens durante o pós-guerra. Trata-se de um ateu muito propenso à melancolia e à monogamia. Mas seus problemas não terminam aí: sua mulher Maria o abandona por outro homem, um católico, com o qual se identifica. Por trás desta catástrofe emocional e material, pode-se ver um homem íntegro, que suporta sua queda com sarcasmo.Um grande livro. À venda na Internet por 16 Euros.

5. Fique Quieta, Por Favor, de Raymond Carver. Rocco, 1988, 240 p.: Grande contista americano homenageado por Robert Altman em Short Cuts . Este livro, assim como a coletânea Short Cuts, também da Rocco, é mais uma prova da boa influência de Tchékhov sobre a literatura atual. Vá ao sebo.

6. A História Maravilhosa de Peter Schlemihl, de Adelbert von Chamisso. Estação Liberdade, 1989, 111 p.: A história curiosíssima do homem que se vê marginalizado e perseguido após vender sua sombra ao Diabo. Até hoje a obra sofre todo o tipo de interpretações, mas o próprio autor nega a alegoria e critica aqueles que preocupam-se em saber o que significa a sombra. Este genial livrinho foi há pouco reeditado.

7. Uma Vida em Segredo, de Autran Dourado. Difel, 1977, 181 p.: Acanhada e deixando-se sempre levar pelas circunstâncias, a prima Biela é boazinha e vive conscientemente uma vida de renúncias. A comparação entre a prima Biela e a Felicité de Un Coeur Simple de Flaubert não obscurece a força da linguagem barroca do Autran Dourado em plena forma de 1964. Milhares de reedições.

8. Middlemarch, de George Eliot. Record, 1998, 877 p.: Desde Shakespeare e Jane Austen, ninguém criara personagens tão inesquecivelmente vivos. É o romance da vida frustrada de Dorothea, que casa-se com o pseudo-intelectual Causabon por um ideal de cultura e tenta desfazer seu casamento e refazer sua vida. O romance é um espetacular panorama das atividades e da moral de uma pequena cidade inglesa de 1830. Canta a tua aldeia e serás universal… George Eliot é o pseudônimo masculino de Mary Ann Evans. Só encontrável em sebos, parece-me.

9. Contos Completos, de Sergio Faraco. L&PM, 1995, 304 p.: Faraco é, disparado, o melhor contista vivo brasileiro e isto não é pouco. O livro foi reeditado no ano passado. Trata-se de um artesão tão econômico quanto rigoroso com as palavras. Sua capacidade de apresentar personagens com um grau de densidade psicológica inversamente proporcional à secura do ambiente, assim como sua maestria na invenção de enredos o tornam obrigatório. Recém relançado.

10. A Flor, a Carne, os Figos, de Heloísa Pedroso de Moraes Feltes, Educs, 1999, 91 p.: Um pequeno grande livro. São muitas pequenas histórias sobre mulheres no formato baudelairiano dos Pequenos Poemas em Prosa. Um biscoito fino e raro, pois duvido que alguém o encontre facilmente. Não leiam o prólogo do livro, onde alguém enxota os leitores ao falar em “retenção e protensão do conjunto de instantes” e em “essencializar” a palavra. Credo!

11. A Mulher do Tenente Francês, de John Fowles. Civilização Brasileira, 1971, 484 p.: Um romance espetacularmente moderno, sofisticado e bem escrito. Trata-se de uma história vitoriana contada e dissecada por um autor que está cem anos a frente dos fatos. O livro, além de narrar com muita emoção experiências humanas, é absolutamente vanguardista, chegando a propor três finais diferentes. O roteiro de sua versão para o cinema foi assinado pelo recente Nobel Harold Pinter. Vá ao sebo.

12. Homo Faber, de Max Frisch. Guanabara, 1986, 271 p.: A história do engenheiro Faber serve para discutir problemas de identidade e da resistência do indivíduo contra a sociedade industrializada. Quando lembro de um livro bom, este me vem imediatamente à cabeça. É uma farsa trágica que foi também levada para o cinema por Volker Schlöndorff. Sebo.

13. Poesia Erótica e Satírica, de Bernardo Guimarães. Imago, 1992, 198 p.: Pura diversão. São poemas escritos sob uma surpreendente perspectiva crítico-humorística-escatológica. Tudo isto em meio aos indianismos e subjetividades lacrimejantes do romantismo brasileiro. Sebo.

14. O Anão, de Pär Lagerkvist. Civilização Brasileira, 1970, 150 p.: O amoralismo político e o poder fascinam este anão de sessenta e seis centímetros que abomina as belezas da vida e odeia os homens, a paz e a concórdia. É uma poderosa alegoria escrito pelo Nobel de 1951, que descrevia-se como um crente sem fé ou um ateu imbuído de religião. Novamente, só em sebos.

15. Lady Macbeth de Mtsensk, de Nicolai Leskov. Bruguera, 1984, 158 p.: O imenso sucesso da ópera de Shostakovitch, baseada nesta novela de 1865, obscureceu o tremendo narrador que foi Leskov. A história, como o nome shakespereano indica, é um sem fim de assassinatos, mas vale cada segundo gasto. Fácil de comprar na Internet.

16. O Marcador de Página, de Sigismund Krzyzanowski. Ed. 34, 1997, 157 p.: Delicioso livro deste soviético de origem polonesa. Além do nome impenetrável, o autor não tem biografia muito conhecida. Suas histórias amalucadas e poéticas parecem livres-associações de um escritor caçando seus temas. Grande livro ainda encontrável por aí.

17. Brincando nos Campos do Senhor, de Peter Mathiessen. Companhia das Letras, 1991, 346 p.: Dois ingênuos missionários protestantes vão à Amazônia com a finalidade de converter os índios: um é fundamentalista, o outro tem dúvidas quanto a salvação os indígenas. Uma narrativa extremamente violenta sobre questões éticas e metafísicas. Esqueça o péssimo filme. Fora de catálogo.

18. La Balada del Café Triste, de Carson McCullers. Seix Barral, 1984, 140 p.: Um pequena novela da hoje esquecida McCullers. Um livro belo, estranho e desolador sobre pessoas que não conseguem relacionar-se. O tema principal do livro, o amor de Miss Amelia pelo primo Lymon é das coisas mais patéticas já li. Pode ser encontrado em qualquer língua, até em português lusitano. Penso que nunca foi publicado no Brasil.

19. As Confissões de Lúcio, de Fernando Monteiro. Editora Francis, 2006, 213 p.: Segundo volume sobre o escritor brasileiro Lúcio Graumann que, em 2001, ganhou o Prêmio Nobel de Literatura, mas morreu antes de conheer a Academia Sueca. O romance de Fernando Monteiro é uma análise da “obra” e da vida do escritor morto, tendo como pano de fundo a bisonha vida cultural brasileira.

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